Sábado (08): quarto dia de Flipelô; confira os destaques

Por Iumara Rodrigues

O quarto dia da 10ª edição da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), neste sábado, 08, começou com a mesa “Angu de grilo convida: Eliana Alves Cruz”, mediada pelas jornalistas cariocas Flávia Oliveira e Isabela Reis. O Teatro Sesc-Senac ficou lotado para ouvir as palavras da também jornalista e premiada autora de “Solitária”, “Meridiana”, “Água de barrela”, “Nada digo de ti, que em ti não veja” e de outros sucessos editoriais. Cruz falou sobre seu processo de escrita, que considera caótico. “Cada livro é um livro, cada escrita tem organização diferente, gosto de apurar, pesquisar e separo em pastinhas virtuais”, confessou a escritora. Eliana comentou também sobre a relevância da música no ato de escrever.

No Museu Eugênio Teixeira Leal, a mesa “Língua Portuguesa em Trânsito: Escrita, Tradução e Pertencimento” abordou o movimento da nossa língua pelo mundo, com a presença da escritora Jessi Fuler Fields, dos Estados Unidos, e do escritor Indran Amirthanayagam, do Sri Lanka. O papo entre autores de localidades e realidades linguísticas distintas teve a mediação do escritor baiano João Vanderlei de Moraes Filho.

No início da tarde desse sábado, uma fila quilométrica despertou a atenção de quem passava pelas proximidades do Teatro Sesc-Senac. Leitores e fãs se aglomeravam para assistirem ao espetáculo “Aos pés da letra”, com Gregório Duvivier, cujo livro homônimo foi recentemente lançado. Com humor refinado, poesia e pesquisa, Duvivier analisa expressões e palavras do vernáculo. Após a apresentação, Gregório autografou alguns livros mediante senha, pois tinha agenda a cumprir em outro local da capital baiana.

Outro destaque da programação vespertina foi o diálogo “A palavra, a memória e o tempo: um encontro sobre literatura”, com o escritor Milton Hatoum, do Amazonas.  Mais uma mesa com lotação esgotada, mediada por Rodrigo Casarin, de São Paulo. Hatoum é autor de “Dois irmãos”, “Cinzas do Norte”, “Relato de um certo Oriente”, seu premiado romance de estreia, dentre outros. O autor relatou a infância em Manaus. Emocionado, citou um encontro com uma antiga professora de escola, que guardou a primeira redação escrita por ele. “Sabia que você ia virar escritor”, ela vaticinou. Milton ainda pontuou acerca do poder da imaginação, afirmando que “não precisa visitar os lugares para falar sobre eles”.

A atração literária da noite foi o bate-papo “Elas por elas: Astrid entrevista Carla Madeira”, uma conversa descontraída e necessária sobre literatura, profissão, luto, família e temas caros a muitas pessoas. Ambas felizes por estarem em Salvador. Astrid é vista circulando com frequência pela cidade.  “Sou mineira, mas não vivo sem a Bahia, sonhei que fazia uma música com Caetano Veloso”, alertou Carla Madeira.  Autora de “Tudo é rio”, “A natureza da mordida” e “Véspera”, Madeira também é jornalista e publicitária. A escritora ressaltou a importância dos clubes de leitura e festivais literários realizados pelo país. “É uma ocasião para conversar, concordar, discordar, discutir, esse exercício da troca mostra o quanto a leitura é interessante’, pontuou Carla para um largo repleto de leitores de várias gerações.

 

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