Espetáculo “1798 – Lucas Dantas: Um Herói de Búzios” retorna aos palcos em agosto para celebrar a memória da Revolta dos Búzios

A memória da Revolta dos Búzios volta a ocupar o centro da cena teatral baiana com a nova temporada de “1798 – Lucas Dantas: Um Herói de Búzios”, da Cia de Teatro Gente. O espetáculo será apresentado nos dias 13, 20 e 27 de agosto, sempre às 20h, no Teatro Módulo, na Pituba, reafirmando o teatro como espaço de preservação da memória, reflexão crítica e valorização das lutas negras na história do Brasil.

A temporada acontece em um momento especialmente significativo para a trajetória da montagem. Além das apresentações em Salvador, o espetáculo foi selecionado para a Mostra Oficial do 9º Festival Internacional de Teatro da Caatinga, um dos principais eventos dedicados às artes cênicas do interior da Bahia. A apresentação será realizada no dia 15 de agosto, às 20h, no Teatro Ataídes Ribeiro, em Irecê, ampliando o alcance da obra e promovendo o encontro com novos públicos.

A escolha do mês de agosto tem um significado histórico profundo. Em 12 de agosto de 1798, foram afixados em Salvador os célebres papéis sediciosos que convocavam a população para uma revolução inspirada nos ideais de liberdade, igualdade e justiça. O episódio marcou o início da Revolta dos Búzios — também conhecida como Conjuração Baiana — um dos mais importantes movimentos populares, anticoloniais e abolicionistas do país. Apresentar o espetáculo nesse período representa uma celebração viva da memória negra e do legado de homens e mulheres que ousaram imaginar uma sociedade mais justa.

A montagem revisita esse episódio histórico a partir da trajetória de Lucas Dantas de Amorim Torres, jovem negro, soldado e um dos quatro mártires executados pela Coroa Portuguesa. Frequentemente relegado a papéis secundários nos registros oficiais, Lucas é recolocado no centro da narrativa como sujeito político, intelectual e revolucionário.

Em cena, Everton Machado conduz um solo de intensa potência física, vocal e simbólica. História, poesia, música e ritual se entrelaçam em uma dramaturgia que rompe com a historiografia tradicional para construir um espetáculo de forte impacto artístico e político. O palco transforma-se em espaço de escuta, confronto e celebração da memória negra, estabelecendo um diálogo direto entre passado e presente.

Mais do que uma reconstituição histórica, “1798 – Lucas Dantas: Um Herói de Búzios” afirma-se como um ato de insurgência cênica ao abordar temas como racismo estrutural, colonialidade, apagamento da memória negra e os permanentes projetos de liberdade gestados à margem do poder. O corpo do ator torna-se arquivo vivo, território de disputa e ferramenta pedagógica, convidando o público a refletir sobre quem escreve a história — e a quem ela serve.

Festival da Caatinga e circulação nacional ampliam o alcance da montagem

Após abrir a temporada em Salvador, a companhia segue para Irecê, onde participa da Mostra Oficial do 9º Festival Internacional de Teatro da Caatinga, no dia 15 de agosto, fortalecendo a circulação da produção teatral baiana e reafirmando a relevância da obra no cenário das artes cênicas do estado.

Na sequência, a Cia de Teatro Gente embarca para sua segunda circulação nacional desta montagem. O grupo foi oficialmente convidado pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) para integrar a programação da Semana Acadêmica de Artes Cênicas, reafirmando o caráter pedagógico e acadêmico do projeto.

Entre os dias 7 e 10 de setembro, a companhia estará em Dourados (MS). No dia 8 de setembro, Everton Machado ministra uma oficina voltada a estudantes e artistas das artes cênicas. Já no dia 9 de setembro, acontece a apresentação oficial do espetáculo, ampliando o alcance da obra para novos públicos e fortalecendo o diálogo entre universidade, pesquisa e produção artística.

Sinopse

Às vésperas da execução, Lucas Dantas revisita sua trajetória, seus sonhos, alianças e rupturas. Em um fluxo que mistura memória, delírio e lucidez, o personagem atravessa o tempo e convoca o público a testemunhar não apenas sua morte, mas, sobretudo, seu projeto de liberdade. O espetáculo transforma o patíbulo em tribuna e a cena em rito de passagem entre passado e presente, onde palavra, canto e movimento constroem um gesto coletivo de memória.

A montagem

O espetáculo marca o primeiro monólogo da carreira de Everton Machado, que celebra 30 anos de trajetória nas artes cênicas, no cinema e na televisão. A criação nasce do encontro entre sua pesquisa de Doutorado em Educação pela UFBA, dedicada à Revolta dos Búzios, e um processo colaborativo que reúne encenação contemporânea, musicalidade afro-brasileira, dramaturgia da voz, multilinguagem e tecnologia cênica.

Com estética ritualística e minimalista, a encenação utiliza videomapping, trilha sonora original e desenho de luz para criar uma atmosfera de forte densidade simbólica sem abrir mão do rigor histórico. A obra também reafirma sua vocação formativa, dialogando com escolas, universidades e projetos pedagógicos, consolidando o teatro como instrumento de memória, educação e transformação social.

Um arsenal de talentos do teatro baiano

Embora seja um espetáculo solo, a montagem reúne cerca de quinze profissionais de destaque da cena teatral baiana. A equipe conta com Nathan Marreiro (direção, cenografia e dramaturgia), Maurício Lourenço (direção musical), Jorge Silva (direção de movimento), Cássio Caiazzo (figurino), Fábio Espírito Santo (iluminação), Fao Miranda (dramaturgia da voz), Ceci Alves (multimídia), além da utilização de imagens do documentário 1798 – Revolta dos Búzios, de Antônio Olavo, entre outros colaboradores.

A Companhia

Há mais de duas décadas, a Cia de Teatro Gente desenvolve uma pesquisa continuada voltada ao teatro político, à formação de público e à valorização das narrativas negras e populares. Reconhecida pelo impacto estético e social de suas montagens, a companhia também realiza ações formativas, circulação artística e projetos educativos.

Entre seus principais trabalhos estão “Barrela”, que rendeu a Everton Machado o Prêmio Braskem de Teatro, e “Balada de um Palhaço”, espetáculo que lhe garantiu indicação ao mesmo prêmio em 2019.

SERVIÇO

Espetáculo: 1798 – Lucas Dantas: Um Herói de Búzios

Temporada em Salvador
  • Datas: 13, 20 e 27 de agosto de 2026 (quintas-feiras)
  • Horário: 20h
  • Local: Teatro Módulo – Pituba
  • Ingressos: R$ 40 (inteira), R$ 20 (meia) e R$ 60 (casadinha), à venda pelo Sympla.
9º Festival Internacional de Teatro da Caatinga
  • Mostra Oficial
  • Data: 15 de agosto de 2026 (sábado)
  • Horário: 20h
  • Local: Teatro Ataídes Ribeiro
  • Endereço: Avenida Caraíbas, s/n, Centro, Irecê (antiga instalação da Cesta do Povo)
Circulação Nacional
  • Evento: Semana Acadêmica de Artes Cênicas – Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
  • Local: Dourados (MS)
  • Período: 7 a 10 de setembro de 2026
  • 08/09: Oficina ministrada por Everton Machado
  • 09/09: Apresentação do espetáculo

Realização: Cia de Teatro Gente / EAG – Escola de Arte Gente

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