{"id":1274,"date":"2026-10-19T06:13:01","date_gmt":"2026-10-19T09:13:01","guid":{"rendered":"https:\/\/bahiacultural.com.br\/?p=1274"},"modified":"2026-10-19T06:13:01","modified_gmt":"2026-10-19T09:13:01","slug":"benito-di-paula-morre-em-sao-paulo-aos-84-anos-e-deixa-obra-singular-no-samba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bahiacultural.com.br\/?p=1274","title":{"rendered":"<span>Benito Di Paula morre em S\u00e3o Paulo, aos 84 anos, e deixa obra singular no  samba<\/span>"},"content":{"rendered":"<div>     Um dos grandes da m\u00fasica brasileira, Benito di Paula morreu em S\u00e3o Paulo<br \/>\n\u266b OBITU\u00c1RIO<br \/>\n\u266c Um dos cantores e compositores mais populares do Brasil nos anos 1970, Benito Di Paula morreu na noite deste domingo, 18 de outubro, aos 84 anos. O artista faleceu no Hospital 9 de julho, em S\u00e3o Paulo (SP), em decorr\u00eancia de complica\u00e7\u00f5es de um c\u00e2ncer de pr\u00f3stata. O artista lutava contra a doen\u00e7a h\u00e1 cerca de um ano. Ainda n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es sobre o vel\u00f3rio e o enterro do cantor.<br \/>\nCantor, compositor e m\u00fasico fluminense, Benito Di Paula nasceu Uday Velloso (28 de novembro de 1941 \u2013 18 de outubro de 2026) na cidade de Nova Friburgo (RJ) e foi criado no Rio de Janeiro (RJ). Mas o Brasil j\u00e1 o conheceu como Benito Di Paula a partir dos anos 1970, d\u00e9cada em que o artista fez sucesso nacional com um samba diferente, esquema novo.<br \/>\nBenito Di Paula jamais se considerou um sambista da dinastia de Martinho da Vila e Paulinho da Viola, cantores e compositores que tamb\u00e9m obtiveram grande sucesso na d\u00e9cada de 1970 no segmento do samba. Benito sempre se rotulou publicamente como sambeiro e como pianeiro.<br \/>\nO cantor, compositor e m\u00fasico fluminense Benito Di Paula morre em S\u00e3o Paulo (SP), aos 84 anos, em decorr\u00eancia de c\u00e2ncer<br \/>\nMurilo Alvesso<br \/>\nFoi no toque percussivo do piano que Benito Di Paula fazia a pr\u00f3pria batucada com um suingue brasileiro que, de certa forma, antecipou o pagode paulista que seria propagado nos anos 1990 por grupos como Ra\u00e7a Negra com arranjos cheios de teclados. E o fato \u00e9 que o sambeiro pianeiro imprimiu assinatura singular na m\u00fasica do Brasil.<br \/>\nDiplomado na escola noturna das boates, territ\u00f3rio onde constatou que o manuseio das teclas do piano surtia efeito de batucada, Benito Di Paula marcou \u00e9poca nos palcos dos audit\u00f3rios dos programas de TV com o informal visual de gala composto por an\u00e9is, casacas, colares, gravatas borboletas, pulseiras e, claro, os cabelos longos e outrora cacheados. Quem viveu no Brasil ao longo dos anos 1970 lembra da figura de Benito.<br \/>\nO cantor debutou no mercado fonogr\u00e1fico em 1967 e lan\u00e7ou em 1971 o primeiro \u00e1lbum, \u201cBenito Di Paula\u201d (1971), ao qual se sucedeu o segundo, \u201cEla\u201d (1972), apresentado um ano depois com o primeiro sucesso do artista, \u201cViol\u00e3o n\u00e3o se empresta a ningu\u00e9m\u201d (1972).<br \/>\nContudo, o reinado de Benito Di Paula come\u00e7ou de fato em 1973 com dolente samba-can\u00e7\u00e3o, \u201cRetalhos de cetim\u201d, apresentado em single blockbuster naquele ano de 1973.<br \/>\n\u201cRetalhos de cetim\u201d foi o ponto de partida para o sucesso de obra que \u2013 calcada no mix do piano tocado pelo artista com instrumentos de percuss\u00e3o \u2013 rendeu sucessivos hits at\u00e9 1984, mas sobretudo no per\u00edodo que foi de 1973 a 1977.<br \/>\nNesse per\u00edodo, foi imposs\u00edvel ignorar \u201cCharlie Brown\u201d (1974), \u201cBeleza que \u00e9 voc\u00ea mulher\u201d (1974), \u201cBandeira do samba\u201d (1975), \u201cComo dizia o mestre\u201d (1975), \u201cVai ficar na saudade\u201d (1975), \u201cTudo est\u00e1 no seu lugar\u201d (1976), \u201cDo jeito que a vida quer\u201d (1976, grande samba dos versos confessionais \u201c&#8230;\u00c9 que meu samba me ajuda na vida \/ Minha dor vai passando esquecida\u201d), \u201cAssobiar e chupar cana\u201d (1977) e \u201cProte\u00e7\u00e3o \u00e0s borboletas\u201d (1977).<br \/>\nApresentadas ao longo de quatro anos, no j\u00e1 mencionado per\u00edodo de 1973 a 1977, auge da carreira de Benito, essas m\u00fasicas atestaram o talento do compositor para fazer samba descolado da matriz do g\u00eanero, ainda que a assumida maior influ\u00eancia do sambeiro tenha sido a obra do bamba Ataulfo Alves (1909 \u2013 1969).<br \/>\nLan\u00e7ados em discos editados pelo cantor na gravadora Copacabana, na qual Benito permaneceu at\u00e9 1980 e para a qual voltou brevemente em 1987 e em 1992, esses sucessos da d\u00e9cada de 1970 j\u00e1 s\u00e3o suficientes para garantir a imortalidade de Benito Di Paula na galeria dos criadores da m\u00fasica do Brasil.<br \/>\nContudo, o cantor ainda emplacou eventuais hits na primeira metade da d\u00e9cada de 80. \u201cAh! Como eu amei\u201d, m\u00fasica dos irm\u00e3os Jota Vellozo e Nei Vellozo, garantiu a Benito bom lugar nas playlists de 1981. Parceria de Benito com M\u00e1rcio Brand\u00e3o Carneiro, \u201cAmigo do sol, amigo da lua\u201d (1984) tocou bem nas r\u00e1dios e na TV.<br \/>\nTema da trilha sonora da novela \u201cA gata comeu\u201d (TV Globo, 1985), \u201cAmigo do sol, amigo da lua\u201d  foi o \u00faltimo sucesso de Benito Di Paula, ainda que o cantor tenha continuado a lan\u00e7ar discos com regularidade at\u00e9 1996, ano em que apresentou o \u00e1lbum \u201cBaileiro\u201d sem repercuss\u00e3o.<br \/>\nDesde ent\u00e3o alijado do mercado fonogr\u00e1fico pela m\u00e1quina das gravadoras, Benito Di Paula apresentou somente mais dois \u00e1lbuns com m\u00fasicas in\u00e9ditas, \u201cA felicidade \u00e9 nossa\u201d (2017) e o relativamente recente \u201cO infal\u00edvel zen\u201d (2021), disco com o qual celebrou 80 anos de vida.<br \/>\nNos \u00faltimos anos, a obra inovadora de Benito Di Paula passou por processo de reavalia\u00e7\u00e3o e gerou tributos na \u00e1rea fonogr\u00e1fica e tamb\u00e9m no Carnaval. Em 2025, o artista foi enredo da escola de samba \u00c1guia de Ouro, uma das mais importantes do Carnaval paulistano. A agremia\u00e7\u00e3o desfilou com o enredo \u201cEm Retalhos de Cetim, a \u00c1guia de Ouro do jeito que a vida quer\u201d e com a presen\u00e7a do pr\u00f3prio Benito, emocionado, em um dos carros aleg\u00f3ricos.<br \/>\nNo entanto, o aval mais importante, o do p\u00fablico, sempre foi dado de imediato a esse cantor, compositor e instrumentista que deixa o nome gravado na hist\u00f3ria da m\u00fasica popular do Brasil ao morrer a um m\u00eas de completar 85 anos.<br \/>\nBenito Di Paula (1941 \u2013 2026) na capa de \u00e1lbum de 1976, lan\u00e7ado no per\u00edodo \u00e1ureo do cantor e compositor<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o \/ Capa de disco<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos grandes da m\u00fasica brasileira, Benito di Paula morreu em S\u00e3o Paulo \u266b OBITU\u00c1RIO \u266c Um dos cantores e compositores mais populares do Brasil nos anos 1970, Benito Di Paula morreu na noite deste domingo, 18 de outubro, aos 84 anos. 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